O dólar neozelandês teve o maior movimento da sessão asiática desta quarta depois que o Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ) deixou os juros inalterados, quando a maioria dos economistas esperava uma alta. O dólar americano ficou perto das máximas de quase duas semanas, o ouro devolveu parte do ganho de terça e o Brent voltou a passar de US$ 115 o barril após o ataque que os houthis dizem ter feito contra a maior refinaria da Arábia Saudita.
Este resumo foi escrito na manhã de quarta, horário de Londres, antes do orçamento britânico e da decisão do Banco do Canadá. Os preços são da sessão asiática e do início da europeia. Publicamos atualizações curtas ao longo do dia no nosso canal gratuito no Telegram.
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Kiwi despenca após pausa inesperada do RBNZ
O RBNZ manteve a taxa básica em 2,75%. Na pesquisa da Reuters, 22 de 27 economistas esperavam alta, e o dólar neozelandês chegou a cair 1,7%, até a mínima do dia de US$ 0,55831. Mike Houlahan, diretor da Electus Financial em Auckland, disse à Reuters que o mercado simplesmente errou e lembrou que a eleição no país acontece daqui a 10 dias.
A moeda recuperou parte da queda quando a presidente do banco, Anna Breman, afirmou que o comitê espera novas altas nas próximas reuniões, talvez até maiores do que o indicado em setembro. Para Thomas Mathews, da Capital Economics, o banco adiou o aperto, mas não desistiu dele. Nossa página sobre a decisão de juros do RBNZ (em inglês) mostra como o NZD/USD costuma reagir a esses anúncios.
Na Austrália o dado foi outro: os preços ao consumidor subiram 1,3% no terceiro trimestre, contra 0,6% no segundo, e a média aparada avançou 1%, com taxa anual de 3,6%, acima da meta. O dólar australiano ganhava 0,1%, a US$ 0,70345, e o Banco da Reserva da Austrália se reúne na semana que vem.
Dólar segue perto das máximas de duas semanas
O índice do dólar, que compara a moeda americana com outras seis, ficou em 102,40, em torno do nível mais alto desde 14 de outubro, segundo a Reuters. O euro estava estável em US$ 1,1124, a libra caía 0,1%, para cerca de US$ 1,3295, e o dólar era negociado perto de 157,95 ienes. O rendimento do título americano de 10 anos subia 2,2 pontos base, para 5,0112%.
Chris Weston, chefe de pesquisa da Pepperstone, resumiu o dia: o Fed não precisa subir os juros hoje para mexer com o mercado, basta mudar a probabilidade percebida de uma alta em dezembro.
O que o mercado espera do Fed
O Federal Reserve subiu os juros em um quarto de ponto em setembro, para a faixa de 3,75% a 4,00%, e sinalizou pelo menos mais uma alta neste ano. Segundo o FedWatch da CME, a chance de manutenção nesta quarta é de 91%, e a de alta em dezembro fica em torno de 84%. Economistas do Deutsche Bank não descartam votos divergentes a favor de alta, o que coloca o foco na entrevista do presidente Kevin Warsh.
A decisão sai às 18h00 no horário do Reino Unido (15h00 em Brasília) e a entrevista começa às 18h30 (15h30 em Brasília). Na quinta sai o índice de preços PCE de setembro, a medida de inflação preferida do Fed. Nossa página sobre a decisão de juros do FOMC (em inglês) explica como o dólar e o ouro costumam reagir.
Ouro recua enquanto o petróleo sobe
O ouro à vista caía 0,7%, para US$ 4030,20 a onça, às 06h02 no horário do Reino Unido, depois de subir cerca de 1% na terça, e o contrato futuro de dezembro perdia 0,8%, para US$ 4043,00, segundo a Reuters. A alta do petróleo reacendeu o temor de inflação que mantém o Fed em alerta. Soni Kumari, analista do ANZ, explicou que o ouro se move pelas expectativas de juros e pelo risco de inflação ligado à energia, e que a cautela do Fed segue como vento contrário.
Uma pesquisa da Reuters mostrou analistas cortando pelo segundo trimestre seguido a projeção para o ouro em 2026, embora esperem recuperação em 2027. A prata à vista caía 1%, para US$ 53,82. Nossa página de sinais de XAU/USD (em inglês) mostra como definimos entrada, stop e alvos no ouro.
Brent volta a passar de US$ 115
O Brent subia US$ 1,59, ou 1,4%, para US$ 115,47 o barril às 04h35 no horário do Reino Unido, e o petróleo americano ganhava US$ 1,43, para US$ 101,33, segundo a Reuters. Os houthis do Iêmen disseram na terça que atingiram com um míssil a refinaria de Ras Tanura, a maior da Arábia Saudita, com 550 mil barris por dia. As autoridades sauditas não haviam confirmado. Na terça o petróleo tinha caído quase US$ 2 com as conversas na região.
Dados do setor citados pela Reuters mostraram queda de 2,03 milhões de barris nos estoques de petróleo dos Estados Unidos na semana até 23 de outubro, e o relatório oficial da EIA sai nesta quarta. A Opep+ deve manter as metas de produção de dezembro na reunião de domingo, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.
Banco do Canadá: alta quase toda no preço
O Banco do Canadá anuncia a decisão às 13h45 no horário do Reino Unido (10h45 em Brasília). A taxa está em 2,25% desde outubro de 2025 e o mercado dava 77% de chance de uma alta de um quarto de ponto, para 2,50%. Entre os economistas, 19 de 34 ouvidos pela Reuters esperavam a alta, que seria a primeira desde julho de 2023. A inflação canadense foi de 3,1% em setembro.
O USD/CAD subia 0,1%, para 1,4063, depois de oscilar perto de 1,4050 na terça e marcar 1,3966 na sexta, segundo o The Globe and Mail. Como a alta já está quase toda no preço, o que o banco disser sobre os próximos passos deve pesar mais do que a decisão. Mais detalhes na nossa página sobre a decisão do Banco do Canadá (em inglês).
Libra e gilts antes do primeiro orçamento de Healey
O ministro das Finanças, John Healey, apresenta o primeiro orçamento logo depois das 12h30 no horário do Reino Unido (9h30 em Brasília). Segundo a Reuters, bancos, empresas de apostas e marketplaces online devem pagar mais impostos, e a margem diante da regra fiscal deve cair para 15 bilhões de libras, ante 24 bilhões em março.
Na terça, o Tesouro britânico vendeu 4,5 bilhões de libras em títulos de cinco anos com rendimento médio de 5,036%, o maior desde 2008, com demanda de 3,51 vezes a oferta. Para Matthew Ryan, da Ebury, um orçamento amigável ao mercado já está no preço, então a barra para uma surpresa positiva para a libra é alta.
O euro e o resto da semana
O euro seguia estável em US$ 1,1124. Na terça, o rendimento do título francês de 10 anos subiu para 4,955% e o do alemão caiu para 3,343%, segundo dados da Tradeweb citados pela MarketScreener, o que deixa a diferença acima de 160 pontos base. Na quinta saem o PIB americano do terceiro trimestre e o PCE, além da decisão do BCE, e o Banco do Japão fecha a semana na sexta, 30 de outubro.
A queda do kiwi, perto de 100 pips num par que opera em torno de 0,57, lembra que uma decisão dada como certa pode sair ao contrário. Em dias assim, vale calcular o tamanho da posição a partir do stop. Nosso calendário dos bancos centrais (em inglês) reúne todas as datas, e no canal do Telegram compartilhamos os níveis que estamos acompanhando.
Fontes oficiais
Páginas de referência de reguladores, bancos centrais e órgãos oficiais sobre os temas desta página.
- Federal Reserve: calendário de reuniões do FOMC, datas das decisões de juros, comunicados e atas.
- Banco do Canadá: taxa básica de juros, a taxa atual e o calendário de anúncios.
- Banco Central Europeu: decisões de política monetária, os comunicados oficiais sobre as decisões de juros do BCE.
Perguntas frequentes
Por que o dólar neozelandês caiu em 28 de outubro de 2026?
Porque o RBNZ manteve a taxa em 2,75% quando 22 de 27 economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta. O kiwi chegou a cair 1,7%, para US$ 0,55831, e recuperou parte depois que Anna Breman indicou novas altas.
O Fed vai mudar os juros em 28 de outubro de 2026?
O mercado acha que não: o FedWatch da CME dava 91% de chance de manutenção na faixa de 3,75% a 4,00%, e cerca de 84% para uma alta em dezembro. A decisão sai às 18h00 no horário do Reino Unido, 15h00 em Brasília.
O Banco do Canadá vai subir os juros?
O mercado dava 77% de chance de alta de 2,25% para 2,50%, e 19 de 34 economistas ouvidos pela Reuters esperavam o movimento. A decisão sai às 13h45 no horário do Reino Unido, 10h45 em Brasília.
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